As últimas semanas foram ricas em novidades de tecnologia de busca. Anúncios de parcerias da Microsoft com o Facebook e do Google com o Twitter, o Google Social Search, que foi confirmado no blog do Google. E, para terminar, uma notinha quase despercebida no blog do Google anunciou a disponibilidade de um "skin" de busca contextual para a Wikipedia - uma funcionalidade que é simples, mas que se torna relevante no cenário atual. Estamos vendo os sinais do amadurecimento de uma tecnologia que vem sendo desenvolvida há muito tempo: a busca contextual. E é também o marco de uma mudança definitiva na forma como o negócio de otimização de busca (ou SEO - Search Engine Optimization) funciona.
O que é a Busca Contextual
Em resumo, a busca contextual é a capacidade de realizar pesquisas na Internet que sejam direcionadas pelo contexto no qual a busca é realizada. O problema é que, para que seja realmente uma busca contextual, o contexto não pode ser informado explicitamente; ele precisa ser derivado implicitamente a partir de outras informações, ou no máximo obtido a partir de uma direção generalizada. A busca contextual é extremamente difícil de implementar porque depende da capacidade de processamento de linguagem e da análise de situações, de forma que possa decidir se o contexto é positivo ou negativo. Um exemplo antigo de erro de contexto é a lenda urbana que menciona um anúncio de uísque ao lado de uma matéria falando dos riscos de dirigir alcoolizado. Esse tipo de erro já aconteceu no passado, quando a tecnologia de anúncios contextuais estava começando a ser desenvolvida. Hoje em dia, os resultados já são muito superiores.
Mas e a Web Semântica?
Analisando de uma forma bem grosseira, a Web semântica é uma proposta formal de dotar a Web de uma infra-estrutura de contextualização que poderia permitir a classificação automática de conteúdo e a realização de busca contextuais. O problema com a Web semântica é que ela exige mudanças na estrutura atual da Web. As páginas precisam ser refeitas ou aumentadas com informação adicional. Decidir a melhor forma de classificar os dados já é por si só um problema, para o qual a maioria das pessoas não tem solução. Esperar que isso seja feito manualmente para todas páginas na Web é praticamente um sonho.
Na prática, o que estamos vendo é que a informação necessária para criar uma camada semântica sobre a Web já está sendo detectada e extraída da própria rede por meio de técnicas automatizadas. Uma das melhores fontes de informação de contextualização é o grafo social do usuário. O resultado desta técnica é a busca social, que já é uma das principais formas de busca contextual disponíveis para uso geral. Outra fonte interessante é a intenção do usuário, que pode ser detectada pelo seu comportamento ou por meio de critérios simples de seleção. Por exemplo, o Google e o Bing permitem selecionar resultados mais ou menos orientados para atividades comerciais (comparação de preço, shopping, etc). Finalmente, o próprio usuário pode interferir no resultado da busca, através de ferramentas de refinamento, comentários, ordenação de resultados etc. Tudo isso faz parte de um "kit de ferramentas" que torna o processo de busca cada vez mais customizado para cada usuário.
O fim do PageRank
Uma das consequências mais notáveis da busca contextual será o fim do conceito de PageRank como o conhecemos. O PageRank é hoje um artefato dos tempos originais do Google; já foi o grande diferencial do serviço, mas com o passar do tempo se tornou um fim em si próprio, indo contra as próprias razões pelas quais o conceito foi implementado em primeiro lugar. O próprio Google alerta contra o uso exclusivo do PageRank como métrica de qualidade do trabalho de SEO. Recentemente, o resultado de PageRank já começou a ser retirado de algumas ferramentas do Google, confirmando esta tendência.
O problema do PageRank é que ele reflete um modelo estático de relevância. O valor de uma página depende da estrutura de links que apontam para ela. Em uma web cada vez mais dinâmica e social, esta estrutura muda com muita frequência. Mais do que isso: em um mundo de busca contextual, não existe um resultado fixo e estático para a relevância de uma página.
A nova fase do SEO
A busca social inaugura uma nova fase de otimização de busca. A partir de agora, não basta criar uma estrutura rica em links. É preciso ocupar os lugares certos para estar presente no contexto desejado pelo usuário no momento em que a busca for feita. E isso envolve conversação contínua com a comunidade. É preciso estar presente e participar, por meio de redes sociais, blogs, Twitter etc. A comunicação passa a ser fundamental e, para que ela funcione, precisa ser constante, consistente e relevante:
- Constante significa que a comunicação não para. É preciso sempre estar conversando com os clientes, atualizando o timeline;
- Consistente indica que a presença deve se caracterizar por um comportamento uniforme, que traduza uma posição previsível e com a qual as pessoas possam se identificar;
- Relevante quer dizer que a mensagem deve ter conteúdo e deve atingir as pessoas certas.
Fonte:
Por Carlos Ribeiro, site iMasters
Publicada em 17 de novembro de 2009 às 11h00
http://imasters.uol.com.br/artigo/14992/seo/adeus_pagerank_a_busca_contextual_veio_para_ficar/
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